Perfil da Procura portadora de necessidades especiais: As barreiras culturais à integração.

O texto publicado neste post é um resumo de um capítulo de uma monografia que estou a ler. O tema da monografia está ligado ao turismo acessível para todos. Mais tarde vou publicar mais resumos dos outros capítulos desta monografia.

Recriação e Turismo Para Todos

Padrões de qualidade para atenção a pessoas portadoras de necessidades especiais

Rafael Sanjuanbenito Aguirre
Maria Fernanda Gómez Simon
Silvia di Danto
Liliana Pântano
Luis Grunewald


Capítulo 3
Perfil da Procura portadora de necessidades especiais: As barreiras culturais à integração

A plena acessibilidade ao meio físico pelas pessoas portadoras de necessidades especiais é uma condição necessária para a equiparação das oportunidades em todas as comunidades que se proponham melhorar a qualidade de vida.
Este segmento da população é composto, principalmente, por pessoas da terceira idade, grávidas e pessoas com deficiências temporárias ou permanentes, inatas ou adquiridas.
A deficiência é considerada um problema social devido aos vários tipos de limitações que os próprios deficientes encontram para viver segundo o padrão cultural vigente.
Deficiência, Cultura e Sociedade
O reconhecimento da deficiência cabe não só ao próprio portador e à sua família, mas também à própria sociedade.
“A deficiência constitui uma condição que afecta um número significativo de pessoas de um modo considerado inconveniente, e que, segundo se acredita, deve ser corrigido mediante acção social colectiva.” (Horno, Leslie. 1974, p.4)

Deficiência, Incapacidade e desvantagem
A Organização Mundial de Saúde faz a distinção dos seguintes conceitos:
Deficiência – É toda a perda ou anormalidade de uma estrutura ou função cinética, fisiológica ou anatómica.

Incapacidade – É toda a restrição ou ausência (devido a uma deficiência) da capacidade de realizar uma actividade na forma ou dentro da margem que se considera normal para um ser humano.
Desvantagem – É uma situação desvantajosa para um indivíduo determinado, consequência de uma deficiência ou de uma incapacidade que o limita ou o impede a desempenhar um papel que é normal no seu caso (em função da sua idade, sexo e de factores socioculturais).

A ideia de diferente

É frequente descrever a pessoa com alguma deficiência como alguém diferente em relação aos outros que se desenvolvem no mesmo contexto social.
A maioria determina as normas com que se compara cada indivíduo da sociedade. Esta imposição deve-se a uma tendência estatística que relaciona norma com frequência, sendo o normal frequente e os indivíduos classificados como normais ou anormais.

Perspectiva Histórica

A pessoa com deficiência teve desde sempre um lugar pré-estabelecido na sociedade entre os atípicos e os pobres. Era marginalizado duplamente: pelas suas disfunções orgânica/funcional e social.
A ideia de deficiência foi evoluindo ao longo dos tempos. A pessoa com deficiência foi olhada de diferentes maneiras. De ser a eliminar em Esparta, a objecto de caridade e assistência nos Estados da Era Moderna, passando a ser estudado e tutelado no século XIX e a ser reabilitado nos nossos dias.
Na actualidade desenvolvem-se várias tendências como a do princípio da normalização na área da deficiência mental, pelo qual se defende o direito dessas pessoas de serem consideradas e tratadas como as outras, precisamente a partir de uma crítica à ideia de normalidade. Trata-se, em essência, de fazer a sociedade acessível para todas as capacidades dentro dos padrões culturais vigentes.
Uma sociedade é acessível quando elimina barreiras de todo o tipo. Os portadores de deficiência têm dificuldades diversas derivadas da sua própria condição pessoal, mas têm capacidades subsistentes para transitar em meio urbano, para educar-se, para serem, para conviver. É necessário eliminar barreiras físicas, legais e morais para uma sociedade mais acessível, uma sociedade reabilitada.
A reabilitação da sociedade assenta em 4 pilares:
O meio físico – Implica a supressão das barreiras urbanísticas, arquitectónicas e nos transportes.
Acessibilidade na educação – Trata-se de uma integração escolar parcial ou total, dependendo de cada caso. Quanto maior aberta, abrangente, completa for a educação menos ambientes segregados existirão.
Acessibilidade ao trabalho – É um dos vectores mais integrantes e o mais necessário para a independência das pessoas com deficiência. Supõe uma eliminação das barreiras laborais.
Acessibilidade na vida social – São aspectos que fazem parte do desenvolvimento de qual quer pessoa. Exemplo: o relacionamento com a família, os vizinhos, as actividades culturais e recreativas e a inter-relação que há entre cada um deles.
Elementos de Avaliação na actividade turística de Portadores de capacidades restritas

No desenvolvimento da actividade turística existem dois pontos que impedem a plena integração das pessoas com deficiência:
A) Acessibilidade ao meio-No meio urbano, construído, encontram-se vários tipos de impedimentos arquitectónicos e urbanísticos (criados pelo próprio Homem) que impossibilitam o livre-trânsito das pessoas com mobilidade reduzida.
Existem várias alternativas para melhor a acessibilidade ao meio. A primeira é a adopção do chamado design universal, que consiste em padronizar em termos de acessibilidade os edifícios públicos e privados que serão construídos no futuro. A segunda é tentar eliminar a falta de acessibilidades nos edifícios já construídos colocando próteses, arquitectónicas e urbanísticas, que melhorarão a acessibilidade aos mesmos. As próteses arquitectónicas e urbanísticas podem ser, por exemplo , rampas de acesso ou bancos em espaços públicos para pessoa da terceira idade que não podem fazer longos percursos sem descansar.

Nos seus tempos livres as pessoas com alguma espécie de limitação de mobilidade encontram algumas situações de conflito no espaço turístico. Estas situações podem ser agrupadas em :

Espaços verdes – Estrutura urbana (obras de saneamento, cruzamento de pessoas e veículos. Mobiliário urbano (Candeeiros, chafarizes, bancos)
Edifícios – Hotéis, bares, restaurantes, museus.
Instalações para actividades científicas, desportivas e recreativas – Congressos, estádios, vestiários.
Actividades lúdicas em áreas naturais e áreas urbanas – Montanha, praias casinos ou discotecas.
Transporte – Acesso a parques de estacionamento ou terminais de transporte aéreo, marítimo ou fluvial.

B) A qualidade da prestação de serviços

Para o pleno desenvolvimento de um indivíduo é necessário potenciar três variáveis: a confiança em si próprio, a independência e o sentimento de solidariedade nas várias fases do seu desenvolvimento. Assim existem três etapas na integração da pessoa portadora de necessidades especiais durante o desenvolvimento de actividades turísticas:

1. Integração física – Permite aproximar-se a outras pessoas ou transitar por qualquer espaço urbano ou rural.
2. Integração funcional – Permite coordenar os vários serviços e que não permita uma descriminação com as pessoas sem mobilidade restrita.
3. Integração social – Utilização de vários serviços e atractivos através da cooperação ente as várias pessoas que tomam parte no desenvolvimento da actividade turística.

Cada vez mais as pessoas com deficiência emancipar-se e tomar parte nas actividades sociais, económicas e culturais em igualdade de circunstâncias com o resto das suas comunidades.

É necessário que haja uma consciencialização por parte de toda a comunidade que estas pessoas têm direito a desfrutar das mesmas actividades que o resto da população. O mesmo podemos dizer dos agentes económicos que trabalham no Turismo. Tanto população em geral como agentes económicos devem tentar conhecer as limitações reais dos deficiência.

Fonte:

http://br.monografias.com/trabalhos2/recreacao-turismo/recreacao-turismo.shtml

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One thought on “Perfil da Procura portadora de necessidades especiais: As barreiras culturais à integração.

  1. A Turismo Adaptado trabalha para a acessibilidade e inclusão no lazer e turismo. Prezamos muito o conhecimento, porém trabalhamos para que tudo de maravilhoso que encontramos nas teorias, também possam ser vivenciadas na práticaAbraços, Ricardo Shimosakaiwww.turismoadaptado.wordpress.com

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